Coluna Tubo de Ensaio – O Virtual Nasceu A Todas…

O Virtual Nasceu A Todas…

por Crish Vieira

Na atualidade, nada se faz tão presente quanto o mundo virtual. Por mais que se excedam os debates sobre o quanto essa “conectividade” nos torna próximos ou distantes uns dos outros, é um caminho sem retorno e, permanente, apesar da virtualidade, em nossa realidade. Jamais os processos do imediatismo (a tal curiosidade de aprender), o aprendizado e o que se faz com isso estiveram tão próximos em função do autoconhecimento. Especificamente ao que se refere à exposição, e conteúdo, de vídeos na internet. Nisso, esqueçamos sobre a falta de educação na utilização de tecnologia em lugares indevidos e por motivos fúteis. Penso, a tecnologia não é culpada.

Um dos maiores desafios dos orientadores/professores e alunos é saber lidar de forma positiva com esse novo “poder do conhecimento” que cada vez mais se torna individual entre os indivíduos. Onde, até mesmo, na literatura da pedagogia, do ensino/aprendizado, se encontram conflitos sobre a questão de se ensinar individualmente e coletivamente. Normalmente, para se evitar o caos, utiliza-se o tempo para isso e aquilo, mas não simultaneamente. Porém, mais questionamentos não cabem nesse texto, nesse assunto.

Pessoalmente, dentro da experiência com minha profissão (vinte anos como aluno aeprofessor em danças de salão e, em conseqüência desse estudo, estudante de outras técnicas de dança), recordo da dificuldade de acesso às fitas K7 importadas por correio para poder analisar com pontualidade essa ou aquela modalidade, técnica. Dessa forma, não há como ver com maus olhos esse atual acesso coletivo as diversas informações de um mesmo assunto. Com certeza, apenas por comparação, a superficialidade se dá como problema não somente na dança. Pois, na literatura, acompanhamos frases feitas e jogadas ao esmo nas páginas sociais de autores que, por muitas vezes, defendem argumentos que discordam do que está sendo exposto utilizando-se da falta de conhecimento dos outros em prol de si mesmo ao fazer que meras e curtas frases caibam em todas as circunstâncias como num cientificismo artificial e inquestionável.

Portanto, com ou sem instrução, o importante é a capacidade de alcance desse sistema de informação e que, bem ou mal, é uma forma de fazer com que, cada vez mais pessoas, se interessem, além de outras tantas coisas jogadas na rede, por essa ou aquela forma de entretenimento, arte, dança…

A interrogativa mais intrigante sobre a diferença de se aprender virtualmente é a preocupação quanto à qualidade adquirida em relação a técnica. Isto é, julga-se que se aprender presencialmente é melhor que virtualmente. Prefiro crer que são coisas distintas.

Distintas em relação à estrutura e à forma. Pois, pode-se até ter uma noção sobre o que se faz, mas não como se faz. Outra; em relação ao tempo e ao espaço, pois, pode-se até reproduzir inúmeras vezes uma mesma imagem, mas o jeito com que se faz e onde se faz o movimento, sua vitalidade, energia, força, velocidade e etc. são conferidos apenas de forma presencial e por pessoas instruídas.

Utilizo como referência as palavras de um diretor de cinema e de pensamento mais construtivo. Arte que, dentro do assunto, corresponde à utilização do vídeo e suas necessidades relativas ao seu uso, cada qual ao seu modo, e que pode nortear alguma definição sobre a utilização desse novo “poder” de utilização dos modelos ligados aos interesses de cada um.

“Pela primeira vez na história das artes, na história da cultura, o homem descobria um modo de registrar uma impressão do tempo. Surgia, simultaneamente, a possibilidade de reproduzir na tela esse tempo, e de fazê-lo quantas vezes se desejasse, de repeti-lo o retornar a ele. Conquistara-se uma matriz do tempo real. Tendo sido registrado, o tempo agora podia ser conservado em caixas metálicas por muito tempo
(teoricamente, para sempre).”

Andreaei Tarkovski

Cabe a nós, sem exceções, nos aprofundarmos mais sobre esse ou aquele assunto e que corresponda, logicamente, aos nossos interesses, para que não nos enganemos tão facilmente por essa ou aquela opinião, inclusive a minha. Podemos até mesmo pensar que os temas são distintos, não que se opõem. A verdadeira inclusão não se dá pela troca e sim pela mistura das coisas. Com isso, evitamos conflitos que nos fazem regredir pela nossa falta de informação. Sendo essa, como cito na maioria de minhas palavras, tão constante na presença de todos e que muitas vezes nos pegam de surpresa por sua instantaneidade e alcance.

REFERÊNCIA

TARKOVSKI, Andreaei. Esculpir o tempo. São Paulo: Martins Fontes, 1998. Tradução Jefferson Luiz Camargo.

Cristiano Vieira é professor, bailarino e coreógrafo. Iniciou suas atividades em danças de salão no Centro de Dança Jaime Arôxa – Rio de Janeiro – em 1997, onde permaneceu até 2004 atuando em apresentações de dança e de teatro, desfiles de escola de samba, vídeo-clip e televisão. Professor desde 2001, ministrou workshops em outras cidades brasileiras e no exterior. Residente em Porto Alegre desde 2008 atuou em renomadas escolas de dança da cidade. Licenciado em dança pela UFRGS em 2014, também conta com a experiência em outras técnicas de dança, acrescentando esse conhecimento às aulas que ministra.

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